3DEXPERIENCE WORLD 2026 – DIA 2

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O segundo dia do 3DEXPERIENCE WORLD 2026 foi, sem dúvida, um dos mais ambiciosos e reveladores da história do evento. Se o primeiro dia foi marcado pela comunidade e pela visão geral do futuro, o segundo dia foi mais concreto, técnico e transformador: Inteligência Artificial industrial, Virtual Twins em larga escala e um anúncio estratégico que redefine o rumo do setor.

Desde o início da manhã, a mensagem foi muito clara: não estamos perante uma moda tecnológica, mas sim perante uma mudança estrutural na forma como os produtos, fábricas e sistemas complexos são concebidos, simulados, fabricados e operados.

Da Economia Industrial à Economia do Conhecimento

Pascal Daloz, CEO da Dassault Systèmes, abriu a sessão com uma reflexão fundamental para se compreender o contexto do 3DEXPERIENCE WORLD 2026. Durante o século XX, a indústria concentrou-se na produção de objetos. No século XXI, o verdadeiro valor reside na produção de conhecimento e know-how; e, a partir daí, na criação de objetos.

Essa mudança de paradigma é a razão pela qual a Dassault Systèmes se refere aos 3D Universes e Virtual Twin Factories. Não como simples aplicações, mas como autênticas fábricas de conhecimento, através das quais o saber é capturado, escalado e validado, com confiança científica.

Neste cenário, a Inteligência Artificial não é genérica ou superficial. É o que a Dassault denomina como Real World AI, uma IA alicerçada na física, engenharia, biologia e ciência dos materiais. Uma IA que não improvisa, mas obedece às leis do mundo real.

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A Parceria Dassault Systèmes – NVIDIA: um anúncio histórico

Um dos momentos mais importantes do 3DEXPERIENCE WORLD 2026 foi a intervenção conjunta de Pascal Daloz e Jensen Huang, CEO da NVIDIA. Ambos confirmaram o que já se antecipava: estamos perante a maior colaboração entre a Dassault Systèmes e a NVIDIA, em mais de 25 anos.

Esta aliança reúne dois conceitos fundamentais:

  • a Virtual Twin Factory, da Dassault Systèmes
  • a AI Factory, da NVIDIA.

O resultado é uma arquitetura industrial partilhada, que combina modelação, simulação, validação e operação com computação acelerada e Inteligência Artificial numa escala nunca antes vista.

Segundo Jensen Huang, a IA irá tornar-se uma infraestrutura básica, ao mesmo nível que a eletricidade ou a Internet. Todos os países, indústrias e sociedades irão precisar de IA. E, para que isso seja possível, é imprescindível projetar, simular e validar tudo no mundo digital antes de o construir fisicamente.

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Do Desenho Estruturado ao Desenho Generativo

Uma das grandes novidades anunciadas no 3DEXPERIENCE WORLD 2026 é a transição de um design totalmente estruturado — onde cada geometria e material é definido manualmente — para um modelo generativo, no qual a IA explora milhares ou milhões de possibilidades.

Graças à integração de bibliotecas como NVIDIA CUDA-X, Omniverse e tecnologias de IA física, o que antes eram simulações offline agora pode ser feito em tempo real. Projetar um produto e simular o seu comportamento aerodinâmico, estrutural ou térmico deixa de ser um processo sequencial e passa a ser simultâneo.

Isto permite algo fundamental: projetar não apenas a forma, mas também o comportamento do produto, desde as fases mais iniciais.

World Models: mais além dos Modelos de Linguagem

Uma das ideias mais poderosas do dia foi a diferenciação entre Language Models e World Models. Enquanto os modelos de linguagem compreendem palavras e contexto, os World Models compreendem causalidade, física, fricção, inércia, gravidade e contacto.

Um World Models sabe que, se empurrar uma peça, algo acontecerá a seguir. Que um material quebra de determinada forma. Que uma estrutura colapsa sob determinadas cargas. Isto é fundamental para que os Virtual Twins sejam realmente generativos e confiáveis.

Nas palavras de Jensen Huang: “os LLM não projetam aviões, nem descobrem terapias contra o cancro; isso é feito por engenheiros, apoiados em ferramentas que respeitam a realidade física”.

Casos reais: da Biologia à Indústria Automóvel

Durante a sessão, foram apresentados exemplos muito concretos de como essa visão já está a ser levada à prática:

  • a Biovia + NVIDIA AI permite gerar e simular proteínas virtuais, antes de realizar testes físicos, acelerando a inovação na área da alimentação e saúde;
  • o grupo Bel (Babybel) utiliza Virtual Twins biológicos para desenvolver proteínas alternativas mais saudáveis, reduzindo o consumo de água e riscos;
  • a Lucid Motors integra crash behavior, aerodinâmica e desempenho do veículo, desde as primeiras fases do projeto, validando decisões com bastante antecedência.

Esses exemplos reforçam uma ideia central do 3DEXPERIENCE WORLD 2026: erros dispendiosos são eliminados antes mesmo de acontecerem, uma vez que são detetados no Virtual Twin.

Fábricas Virtuais e Fábricas de IA

Outro tópico central do dia foi a evolução das fábricas. Estas já não são apenas ativos físicos – são sistemas híbridos, físicos e virtuais ao mesmo tempo.

Graças aos Virtual Twins, agora é possível:

  • projetar linhas de produção completas em CAD;
  • simular o comportamento de robots autónomos;
  • otimizar fluxos, segurança e eficiência antes de iniciar qualquer produção.

Esta questão é particularmente crítica nas AI Factories, infraestruturas de dezenas de milhares de milhões de dólares, onde são fabricados chips, supercomputadores e sistemas de IA. Cada decisão deve ser validada ao milímetro.

 O uso de MBSE (Model-Based Systems Engineering) permite projetar, simular e operar essas fábricas a partir do seu gémeo virtual, durante toda a sua vida útil.

Virtual Companions: a IA ao serviço do Engenheiro

A intervenção de Manish Kumar, CEO da SOLIDWORKS, traduziu esta visão para o dia-a-dia do utilizador. No 3DEXPERIENCE WORLD 2026 foram apresentados os Virtual Companions, assistentes de IA integrados diretamente no fluxo de projeto.

Alguns exemplos apresentados:

  • criação de estruturas de montagem a partir do zero;
  • conversão de geometria importada em modelos paramétricos editáveis;
  • diagnóstico e correção de erros em modelos;
  • melhoria automática do desempenho de grandes montagens;
  • interação com o modelo por meio de linguagem natural.

 

O objetivo é claro: que o engenheiro dedique menos tempo a tarefas repetitivas e mais tempo ao projeto e à tomada de decisão.

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Do "CAD falado" ao Projeto a partir de requisitos

Um dos momentos mais impactantes foi a demonstração do Text-to-CAD e do Speech-to-CAD. Projetos completos criados interagindo verbalmente com o sistema, sem usar comandos tradicionais.

Ainda mais disruptivo, foi o exemplo de passar diretamente dos requisitos para um modelo funcional em minutos, incluindo simulação estrutural. Este processo não substitui o engenheiro, mas eleva o seu papel: de executor a arquiteto de soluções.

 

Clientes reais, Impacto real

Este segundo dia, também deu voz a clientes que já utilizam estas tecnologias:

  • Westwood Robotics, que desenvolve humanoides adaptativos;
  • Psyonic, que cria próteses biónicas com feedback tátil;
  • Sparx, que leva a precisão industrial ao consumo de massas.

Todos concordaram cm a mesma premissa: a simulação precoce, a iteração rápida e o uso da IA aceleram a inovação, sem comprometer a qualidade ou a fiabilidade.

 

 

Conclusão: o 3DEXPERIENCE WORLD 2026 entra para a história

O segundo dia do 3DEXPERIENCE WORLD 2026 confirmou que estamos perante um ponto de inflexão. A combinação de Virtual Twins, computação acelerada e Inteligência Artificial Industrial não é uma promessa futura: já está aqui!

A Engenharia não desaparece. Evolui. Torna-se mais estratégica, mais criativa e mais impactante do que nunca. E este evento deixa claro que, aqueles que adotarem esta visão projetarão não somente produtos, mas definirão as próprias indústrias.

Não perca a próxima sessão já amanhã, às 18:00h:

Preparado(a) para conhecer as mais recentes novidades e tendências da Engenharia do Futuro e últimas inovações na cloud? Não falte ao 3DEXPERIENCE World 2026!